sexta-feira, 18 de maio de 2012

Perdi os meus phones Parte II


Olhei para o espaço deixado pela 3.ª almofada e tive uma visão cor-de-rosa! Aninhado na fundo da cratera formada, na véspera, pelo rabo do meu amigo Luís - o Luís é um obeso que eu conheço - repousava o meu porta-bananas da Pro-active Ape. 

De imediato, entrei numa espécie de transe introspectivo e a sequência de pensamentos que me atravessaram a mente foi, mais ou menos, esta:  

Acho absolutamente espantoso que o Luís Obeso não tenha dado por nada! Quer dizer, o portador de bananas não é exactamente uma ervilha que qualquer traseiro possa ignorar... por outro lado o Luís Obeso também não é propriamente uma princesa sensível... hum das duas uma: ou está mesmo gordo - caso em que, da próxima vez que o vir lhe vou recomendar uma dieta utilizando como argumento determinante a sua insensibilidade anal - ou então há mais no Luís Obeso do que aquilo que ele gostaria de assumir - caso em que, da próxima vez que o vir introduzirei, de mansinho, a temática: Homossexualidade. Explico-lhe que os gays são iguais às outras pessoas com a única diferença têm uma sensibilidade excessiva aos ritmos da Salsa. Depois, pouso a minha mão sobre a dele e olho-o nos olhos enquanto lhe digo que o segredo dele está seguro comigo. 
Oh meu Deus, o Luís Obeso é gay!!! Isto é um segredo demasiado grande para ser guardado só por uma pessoa! Porquê Deus? Porquêêêêê? Porque é que meteste esta informação no meu caminho? Tanta gente com sofás e com porta-bananas no mundo, e aquele paneleirão tinha logo que vir espojar o padeiro no meu sofá! Não me aguento, tenho que partilhar a minha descoberta com alguém. Acalma-te, respira fundo! Pensa... pensa... Como é que eu não pensei logo nisto!!! Eu para aqui preocupada com a orientação sexual do Luís Obeso quando o que realmente está em causa é... claro! Só pode ser isso... mas... será possível que um porta-bananas debaixo de uma almofada de sofá permita averiguar a orientação sexual das pessoas? Não custava tentar... podia, por exemplo, convidar o meu vizinho João para ver no que é que dava ... sim definitivamente o João! Aquela idolatria excessiva por lojas de decoração e pela fashion tv sempre me pareceu suspeita. Mas isto é fantástico!! Se resultasse até podia fazer dinheiro com isto. Abria um site online. Chamar-lhe-ia o Oráculo Gay... convidava gays que queriam descobrir se o alvo das suas luxúrias jogava na mesma equipa...depois quando começasse a ser conhecida registava a marca para não virem cá roubar a ideia... mas isso exige ter empresa aberta, contabilidade organizada, pagar impostos... Estado burocrata dum raio, sempre a tentar ir-nos ao bolso! Uma pessoa perde logo a vontade de ter iniciativa seja para o que for...EMPREENDEDORISMO UMA OVA! Pensa Maria, pensa! Maneiras de não declarar rendimentos, maneiras de não declarar rendimentos... podia telefonar à minha prima Ana e propôr-lhe sociedade... aposto que ela ia achar a ideia genial! Olha! Ainda há uma banana dentro do porta-bananas!! Será que ainda se pode comer? não como nada desde aquela orgia calórica... nunca li nada sobre potássio fora de validade... nada mal, quem diria que uma banana com a casca preta ainda podia estar tão docinha? Caramba, mas onde será que meti o raio dos phones?  






quinta-feira, 17 de maio de 2012

Perdi os meus phones


Perdi os meus phones. Pensei que os tinha deixado cair entre as almofadas do sofá, mas quando levantei a primeira almofada, tudo o que encontrei foi uma orgia calórica.  

[E perguntam vocês: O que é uma orgia calórica? Ao que eu respondo: Está-se mesmo a ver que é um m&m's ensanduichado por dois maltesers.]

Abandonei-me aos prazeres da carne e ingeri aquele inesperado snack matinal! 
Com os níveis de açucar já restabelecidos, decidi continuar a minha busca. Naturalmente, que com muito menos ânimo: acreditava lá eu que a segunda almofada pudesse esconder algo melhor que a orgia calórica! 

Foi nesse estado de espiríto que me decidi a levantar a segunda almofada. A minha reacção perante aquela visão foi de puro extâse! Achei que os meus olhos me estavam a pregar uma partida, por isso esbofeteei-me três vezes! Não uma, não duas, mas TRÊS... VEZES...!!! 

[Sim! Sou, assumidamente, uma daquelas pessoas que gostam de ter a certeza que os outros sabem quão estúpidas elas são! E para aqueles que ainda possam ter dúvidas, se algum dia me virem na rua peçam-me para fazer a minha imitação de um paraplégico indiano a tentar comer curry.... E não....não precisam de mudar para o outro lado da estrada porque eu só faço mesmo a quem me pede.]

Bem, continuando....senti-me um dos concorrente do programa da Amiga Olga; mas um daqueles que têm sorte atrás de todas as "portinhas". Neste caso, a segunda "almofadinha" reservava-me nada mais nada menos que um estojo de calafetagem que o meu vizinho João me deu no Natal de há três anos.

Já sei o que estão a pensar: "Mas quem é que perde um estojo de calafetagem no sofá?". Foi exactamente isso que eu pensei há dois anos atrás quando me deu para calafetar a entrada do prédio [não que precisasse de ser calafetada mas caramba!!! Quem é que recebe um estojo de calafetagem e não tem a miníma curiosidade de o usar?!? Eu, pelo menos, falo por mim, desde que o recebi fiquei com aquele bichinho do calafetar]. Nessa altura, procurei o estojo de calafetagem na garagem, no armário das ferramentas  e nos arrumos-de-coisas-que-ninguém-sabe-para-o-que-servem. Obviamente que nunca podia ter encontrado precisamente porque o estojo de calafetagem esteve este tempo todo debaixo da segunda "almofadinha" do meu sofá. 

Pus o estojo de calafetagem em cima da mesa, contente por já ter programa para o final do dia. O que até calhou bem porque tinha planeado experimentar o meu kit de primeiros socorros a náufragos (que o meu vizinho João me deu no Natal de há dois anos) mas assim espero pelo fim de semana e peço ao João para se afogar na linha - o que dará um cunho muito mais real a toda a experiência - e assim faço um programa mais caseirinho com o estojo de calafetagem. 

Os phones continuavam desaparecidos, e apesar de todas as surpresas que tinha tido até aí, o objectivo da minha busca não estava esquecido, pelo que me decidi a levantar a terceira almofada.... 

To be continued... 



O Processo

Tinham sido criteriosamente seleccionados entre a multiplicidade dos seus pares recentemente saídos do forno de torragem; as características demonstradas durante o processo de torrefacção (tonalidade, tamanho, consistência, junção das duas metades) eram responsáveis pela sua escolha e integração naquele núcleo restrito e honroso. Antes deles, outros tantos tinham seguido o mesmo destino, prestando um contributo incomparável na satisfação e alegria da raça humana. Cada um deles representaria, depois de terminado o processo de transformação, uma explosão de puro prazer só comparável à ingestão de outro igual a si.

Hordas de amendoins encontravam-se aglomeradas em gigantescas plataformas de alumínio aguardando ansiosamente instruções. Profissionais de topo, munidos dos meios tecnológicos mais inovadores, asseguravam, a todo o tempo, que apenas os mais aptos e os de melhor qualidade passariam as várias fases do processo de transformação. Cada uma das fases, tinha sido meticulosamente estudada e desenvolvida, ao longo dos anos, com o único objectivo de criar, nada menos do que a mais pura das perfeições comprimida numa massa de forma oval cujo diâmetro não ultrapassava os 5 mm.

Um burburinho de fundo percorria as fileiras de amendoins, deixando a atmosfera carregada de nervosismos e ansiedades. Cada um dos candidatos sentia sobre si o peso da responsabilidade de pertencer àquela elite. Todos tentavam lidar com a consciência gritante de que, até estar terminada a sua transformação, nada lhes garantiria que chegariam ao final. Todas as fases eram críticas e muitos candidatos sucumbiam aos nervos, separando-se irremediavelmente em duas metades. Nessa triste eventualidade o amen-doim seria automaticamente excluído do processo e condenado a trabalhar como assistente nos processos de transformação dos amendoins bem sucedidos. Era uma provação pela qual nenhum desejava passar e cujas consequências nefastas se alastrariam às gerações futuras que nasceriam da mesma planta.

O Revestimento

Um amen-doim de ar carrancudo e desmotivado aproximou-se das fileiras fazendo cessar abruptamente o barulho das conversas. O silêncio que se instalou era pesado e sufocante gerando uma sensação de desconforto nos corpos comprimidos dos amendoins. Segurando um bloco de notas, numa das suas metades, e um altifalante (que produzia um enervante zunido de cada vez que era apontado ao chão) na outra, o amen-doim passou em vista as várias folhas do bloco de notas onde estavam contidos os nomes de todos os amendoins que seriam chamados à fase de revestimento. Quando terminou, levantou os olhos do bloco e percorreu com olhar as longas fileiras de amendoins, naqueles que pareceram os 5 minutos mais longos da história. Aclarando a garganta disse:

Boa tarde a todos. O meu nome é Matias e sou o vosso orientador. Gostaria de começar por dar-vos as boas-vindas à nossa família. Vocês chegaram onde poucos amendoins ousaram chegar; e a vossa pertença a este grupo representa a frustração de todos aqueles que nunca conseguiram, nem conseguirão, qualificar-se. Espero que mantenham isso em mente durante todas as fases da transformação pois, é uma honra e um orgulho fazerem parte de uma equipa de profissionais empenhada, há anos, em prestar um serviço de excelência e qualidade na satisfação do homem.

Em reacção ao discurso de Matias, três amendoins cederam à pressão rachando-se em duas metades; todos os outros à sua volta deram três pulinhos e afastaram-se, numa atitude de desprezo e indiferença. Após uma breve pausa, para certificar-se de que os candidatos desqualificados eram removidos, Matias continuou:

Ao meu chamamento deverão dirigir-se à passadeira rolante que podem ver à vossa frente. No fim da mesma, serão atirados em queda livre para dentro da tina e mergulhados no líquido aí contido.

A tina, um grande recipiente em forma de funil, continha no seu interior um líquido sedoso e aveludado de coloração castanha (também conhecido por chocolate) cuidadosamente confeccionado com os produtos mais naturais e frescos existentes na natureza. Uma vez ingerido transmitiria ao cérebro humano a ideia de três bofetadas em catadupa, seguidas da visão de um LED roxo e rosa ostentando, intermitentemente, a mensagem DELICIOSAMENTE ORGÁSMICO.

Devem, em todas as alturas, permanecer calmos e relaxados. Essa atitude vai assegurar uma melhor absorção e colagem do chocolate ao vosso corpo de forma a atingirem o volume exigido e garantir passagem à fase seguinte. Um bom processo de revestimento deverá deixar-vos, aproximadamente, duas gramas mais pesados e com 4mm de diâmetro (em vez dos habituais 2 mm). Aconselho-vos a manterem a calma em todas as alturas e a desfrutarem da experiência até ao fim. Deixem-se levar sem pensar no como e no porquê. Absorvam a experiência sem pensar nela, sem tentar entendê-la...caso contrário, vão ficar rígidos e perder a agilidade necessária para atravessarem o líquido denso sem se racharem. Não é necessário recordar-vos o que acontece àqueles que não seguem os estes conselhos e se separam em duas metades. No fim desta fase, outros colegas estarão à vossa espera para aferir quais os que se qualificam para a fase de coloração. Desejo a todos, a melhor das sortes.

Matias iniciou a chamada:

Manuel, Mário, Martim, Miguel, Manfredo, Marcelo, Márcio,, Marcos, Mateus, Maurício, Mauro, Moisés, Marcelino, Milton, Morfeus, Murilo, Marílio, Manolo, Mizael, Margarido...

Ao ouvirem aos seus nomes, todos os amendoins identificados pularam apressadamente para cima da passadeira tentando relembrar e cumprir ipsis verbis as orientações dadas por Matias. Infelizmente, para Moisés, a atitude relaxada e calma durou apenas o tempo da viagem na passadeira rolante; o seu cérebro traiu-o com imagens de si depois de transformado e a sua ligação interior, outrora consistente, cedeu fazendo com que se dividisse em duas metades.

A Coloração

Tal como lhes fora prometido, um grupo de amen-doins com ar atarefado, aguardava a saída dos candidatos da tina. Munidos com fitas métricas, medidores de densidade e capacetes com lupa microscópica e lanternas incorporadas, acercaram-se dos candidatos revestidos e procederam aos devidos testes com perícia irrepreensível. O cenário era agora decorado por uma gigante rede construída em fibra de carbono por baixo da qual se encontravam 3 turbinas hiper-ventiladoras (ou, o mesmo é dizer, ventoinhas super-potentes) cuja função não era outra senão a de expeditar o processo de secagem e tornar o revestimento mais consistente.

Moisés, e todos amendoins que, como ele, não aguentaram a pressão, foram convidados a abandonar a rede de secagem e encaminhado para o departamento de Afectação de Recursos Falhados, a fim de ocuparem os lugares dos Matias deste mundo. Todos os outros, depois de terem sido classificados de "revestidos com louvor" foram novamente encaminhados a uma nova passadeira rolante no fim da qual os esperava a Câmara de Coloração.

As Câmaras de Coloração, situadas no fim das passadeiras rolantes, eram compartimentos de forma cilíndrica revestidos com mini-jactos (semelhantes a crias de chuveiro) dos quais sairia - com isócrona sintonia - uma fórmula composta de corantes e conservantes, estrategicamente desenvolvida para proporcionar nada menos que uma capa estaladiça e crocante, cujo aspecto final despertariam a lúxuria no ser humano mais indiferente e amorfo.

Cada "revestido com louvor" receberia exactamente 5 gramas do preparado e deveria ficar aleatoriamente tingido de uma das muitas cores existentes no arco-íris. Mais uma vez o discurso de Matias calcurreou as mentes de todos os que se preparavam para a coloração...

Para os que tiverem a felicidade de chegar à fase de coloração, lembrem-se de que, deverão manter, sempre, os olhos e a boca fechados e os vossos corpos devem ao longo de todo o percurso, permanecer imóveis. O mínimo movimento pode comprometer todo o processo de coloração, o que vos desqualificará automaticamente. A escolha da cor final de cada um é prerrogativa do nosso sistema pelo que não quero ver espertinhos a tentarem mudar de passadeira na esperança de se tornarem amarelos ou vermelhos. O facto das mascotes do grupo serem dessa cor é casual e não lhes atribui preferência no gosto humano. O John Lehnon dos Beatles - uma banda musical famosa dos anos 60 - só comia os castanhos! Os nossos serviços primam porque todas as cores constituem um universo de facto e os radicalismos colorais são altamente desaconselhados e podem contribuir para a vossa exclusão do processo.

Miguel, que já se encontrava na passadeira, relembrava as recomendações de Matias. ...fechar os olhos, abrir a boca e manter-me imóvel, fechar os olhos... ou seria abrir os olhos e fechar a boca? Manter-me imóvel era de certeza... vou abrir os olhos para ver se estou imóvel....Os jactos dispararam.

A Marca

Amen-doins de carimbo numa metade e tinteiro branco na outra, encontravam-se alinhados no fim das câmaras de coloração prontos para colocar a Marca nos seus pares que tinham terminado com sucesso a transformação. A Marca era simplesmente um m. Um só m não fazia a diferença mas todos juntos eram os vários m's. Por isso ficaram conhecidos como m & m's e destacaram-se para sempre!

Um casal atípico


Segunda-feira, 7:30 da manhã, na casa de Ana e Jaime em Campo de Ourique.

Jaime percorre a casa toda em passo apressado. Procura as suas chaves de casa. Já desesperado decide acordar Ana para o ajudar a encontrá-las.

- Anaaaa, viste as minhas chaves?
- Vi. E até podia dizer-te onde elas estão se não tivesse sido atacada por uma perguicite tão grande que nem consigo falar. Só para teres uma ideia, a explicação que te acabo de dar sobre o cansanço arruinou com as minhas reservas de energia e vai-me levar, pelo menos, uma hora antes de conseguir articular qualquer palavra.
- Vá lá Ana, pára de brincar. Assim vou chegar tarde ao emprego. Tenho uma reunião de equipa às 8:30 e ainda nem revi a minha apresentação.
- Não estou a brincar! O que te digo é muito sério. Não consegues ver como arrasto a voz quando falo?... No entanto - porque te amo acima de todas as coisas - estou disposta a fazer um sacrifício. Mas para isso também vou precisar de ver alguma boa vontade da tua parte... afinal quem perdeu as chaves foste tu.
- Vá lá Ana! Não tenho tempo para jogos. Diz-me duma vez onde estão as chaves e pára de brincar.
- Como te digo, se queres reaver as tuas chaves tens que demonstrar uma intenção realmente séria de as reaver.
- E como é que esperas que eu faça isso?
- Bem, tens que jogar o jogo das perguntas: tens direito a três perguntas; nenhuma delas pode ser "Onde é que estão as chaves?". Por cada pergunta inteligente que fizeres recebes pistas que te levarão direitinho ao teu objectivo... a argúcia e perspicácia são, portanto, qualidades altamente valorizadas neste desafio. Pronto?
- Sim, tenho outro remédio?
- Isso é uma pergunta?
- Não! Era eu que estava a pensar alto, desculpa. Posso começar de princípio?
- Sim, mas a partir de agora não há mais desculpas. Não te esqueças que o tempo está a contar.   
- Ok, ok. Então vamos lá. (Jaime inspira fundo olha para Ana e começa.) Já te disse hoje que te amo?
- Ainda não tinhas mencionado, não. As chaves estão algures no andar de baixo.
- Queres ir jantar fora logo à noite e ir ao cinema ver um filme à tua escolha?
- Aceito o convite...talvez fosse bom limitares a tua busca à zona da sala.
- Achas que logo à noite posso fazer-te uma massagem para estrear os óleos que comprámos na nossa viagem à Tailândia?
- Também reparaste que estão a ganhar pó na dispensa?... acho que as chaves estão caídas entre as almofadas do sofá.
Jaime beija Ana na boca e sai apressado descendo as escadas de duas em duas.. quando chega à sala vira o sofá de ponta a ponta sem vislumbrar ponta de chaves.
- Anaaaa, não estão aqui.
- Então não sei. Pensei que as tinha visto aí caídas...

Fim.

Tecnicismos metafisícos



Algures no espaço e no tempo, no Departamento de Criatividade Relacionada com a Invenção de Algo Completamente Autónomo e Original (Criacao)

 - Sabes bem que ainda temos um longo caminho pela frente não sabes? 

 - Sim! Já sei, já sei. Mas, agora, o que está realmente a preocupar-me é o tubo de alimentação. 

 - Tubo de alimentação, tubo de alimentação!! Será que, por um momento podes parar de tratar a nossa obra-prima como se fosse um carburador? 

 - E tu, será que podes parar de me azucrinar  e concentrar-te no problema que temos em mãos? Já vamos na nossa 15.º experiência, e até agora nem um vislumbrezinho de êxito. Se continuamos assim, o Todo-o-Poderoso ainda nos corta a verba. A última reunião não foi bonita, e arriscamos perder tudo aquilo para que trabalhos nos últimos 100,000,000,000 de anos. 

 - Estou bem conscience da nossa situação mas sinto que desta vez é diferente. 

 - Ai sim? E o que te faz "sentir" isso?

 - Cheguei à conclusão que não podemos contar só com a variável "optimização do tubo de alimentação". Temos que pensar mais além. 

 - Por exemplo? 

 - Na própria alimentação em si. Estive a pensar e desenvolvi um conceito que tenho vindo a aprofundar nos últimos 200 anos. Chamei-lhe autonomia omnívora. Ou em inglês Nature Self service! 

 - Autonomia quê?

 - Autonomia omnívora! Eu explico: Estamos a condenar todos os nossos projectos ao fracasso pelo simples facto de partirmos da permissa de que a alimentação é indiferente. 

 - E é!! Desde que escolhamos um recurso alimentar que exista em abundância, não temos de nos preocupar com mais nada. Já tinhamos chegado a essa conclusão. 

 - Sim! Mas o que não considerámos foi o trabalho dos dos nossos colegas do Departamento para Assuntos sobre Solos e Sinergias Solares! (DASSS!)

 - O que é que isso interessa? O trabalho deles é o trabalho deles. O nosso é o nosso... 

 - Oh, mas aí é que tu te enganas! Tudo está interligado. Todos trabalhamos para o mesmo fim: executar o projectinho excêntrico do Todo-o-Poderoso! 

 - Sim, mas então, onde é que queres chegar?

 - Segue o meu raciocínio: quando o DASSS desenvolveu a camada subterrânea da terra, incluíu nela um mecanismo que de auto-renovação. Uma espécie de exfoliante auto-imbutido, que permite à terra renovar-se a cada X anos. De cada vez que esse mecanismo é accionado condena à extinção todos os recursos da terra, entre os quais a vegetação...

 - Que nós, até aqui, temos utilizado como fonte de alimentação para os nossos projectos!!!

 - Exacto!! Até aqui isso não constituíu um obstáculo porque a última renovação deu-se antes de pôrmos as nossas criações a deambular pelo globo. Estive a falar com o Ezequiel da contabilidade e parece que segundo um relatório dos DASSS - altamente confidencial - a próxima "exfoliação" terrestre vai dar-se alguns milhões de anos depois de pormos a nossa obra prima a habitar a terra. 

 - Sim, já tinha ouvido falar sobre isso... tem algo que ver com a proliferação de camadas de gelo na superfície terrestre... Tem havido muito burburinho sobre isso. Até já lhe chamam em tom de brincadeira: "A idade do gelo". 

 - Tali qual! Então, o que eu pensei foi: qualquer fonte de alimentação que decidamos atribuir à nossa obra prima, está condenada à extinção durante idade do gelo, certo?

 - Certo. 

 - Então e se nós dotássemos a nossa obra-prima de um mecanismo que lhe dê não só capacidade de comer tudo aquilo que a natureza tem para oferecer, mas ainda a capacidade de procurar de forma autónoma fontes de alimentação existentes na natureza? 

 - Quando dizes tudo, referes-te exactamente a quê?

 - A TUDO!!! Vegetação, sementes do subsolo, a criaturas que habitem a terra... a eles próprios se tiver que ser para garantir a continuação da espécie! Percebes?? Autonomia Omnívora

 - Mas isso é absolutamente desconcertante!!! Comerem-se uns aos outros?!? Enlouqueceste? 

 - Pronto, tinha que vir o puritano!! Tenta ver mais além do que aquilo que eles ingerem! O comerem-se uns aos outros é só se tiver mesmo que ser. O que está, verdadeiramente, em causa, aqui, é a sobrevivência da espécie. 

 - Sim, mas comerem-se uns aos outros?!?

 - Eu sabia que não ias conseguir largar esse pequeno pormenor! Por isso pensei numa forma de garantir que essa funcionalidade só seria utilizada em último recurso. Assim, inventei o Sabor.

 - O Sabor?

 - Sim, o Sabor é um dispositivo altamente complexo que se coloca dentro do tubo de alimentação e que será responsável por informar o nervo central de quais são os alimentos cuja ingestão traz consigo um estado de bem-estar associado e quais os que transmitem a mensagem oposta. Se programarmos esse esse dispositivo de forma a interpretar o corpo humano - entre outras coisas que agora não interessa falar - como algo que traz desconforto, evitamos que a nossa obra-prima se banqueteie de si mesma.

 - Como uma espécie de preconceito alimentar? 

 - Exactamente como um preconceito alimentar! 

 - Mas a parte dos preconceitos não está a cargo do Departamento de Métodos Obtusos e Regras Anti-Libertinagem (Moral)?

 - Sim! E por isso é que teremos que trabalhar com eles. Já falei com o Gabriel. Está tudo tratado. Reunimos amanhã!


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Bumblebee


Olá a todos, novamente! 

Sobre o blog: foi criado com vários propósitos... cada um menos válido do que o outro... E então?!? Quem nunca criou um blog sem um motivo considerado "válido", que atire a primeira pedra... 

ATENÇÃO: Esta expressão deve ser entendida metaforicamente! A última vez que me socorri dela para marcar um ponto, tinha 8 anos e tentava explicar à minha turma que é perfeitamente aceitável roubar-lhes os bollycaos sem que haja um motivo nobre e válido por detrás do roubo. A coisa saiu-me mais ou menos assim: "E quem nunca roubou bollycaos, porque não consegue resistir a pão com chocolate pré-fabricado, que atire a primeira pedra...!" ... A partir daí foi o descalabro... levei tanta pedrada no lombo que os contínuos de etnia mulçumana sentiram necessidade de ir buscar pipocas!

... se crio um blog é porque crio um blog, se não crio um blog é porque não crio um blog! Caramba, juro que às vezes não entendo as pessoas! Principalmente a ti João, o que é que interessa sobre o que é que é o blog? Não podes, simplesmente, parar de fazer perguntas e ler a chatice do post? Como é que esperas que o Google Analytics repare em mim?

O João, é o meu vizinho da frente, a quem fui bater à porta - ontem às 03:45 da manhã - para lhe pedir que lesse a minha Nota Solene de Abertura. A princípio mostrou-se um pouco renitente... mas ao fim de 45 minutos a ouvir cantar "Quando Fernando Sétimo usava paletó" lá cedeu... até eu - que adoro "Quando o Fernando Sétimo usava paletó" - tive alguns momentos de fraqueza... principalmente na versão alemã, cuja tradução foi bastante desafiante "Wenn Ferdinand siebten seine Jacke trug..." Mas sobre o João terão oportunidade de ouvir falar mais vezes.

Claro que eu podia tentar explanar aqui, uma quantidade de motivos (dos sérios e respeitáveis) que me levaram a criar este blog, o que daria qualquer coisa como: 

"Tudo começou há uns anos atrás. Ia no carro com a minha amiga Teresinha. Uma dúvida assaltava-me o espiríto há já alguns meses e nesse momento emergiu novamente, inavisada, para se instalar confortável nos meus pensamentos. A Teresinha, fumava um cigarro e conversava sobre o programa a Herança, - que estava na altura a passar em horário nobre da RTP1 - equanto se entretia a testar a minha cultura geral..."

Ora, tudo isto tão verdadeiro como inacreditavelmente aborrecido! 
Por isso, em vez de explicar as motivações por detrás da criação do Bolacha? Maria, e do seu nome, vou enunciar os mandamentos pelos quais ele se gere:  

1 - Que se perca um bom amigo, mas nunca se perca uma boa piada!
2 - Se a verdade não tiver graça, inventa a história!
3 - Aquele que busca a Verdade em literatura, está condenado a não ter amigos! 
4 - O exagero e a mentira fácil, é o acabamento de luxo de qualquer boa história!
5 - Se alguma vez te acusarem de mentiroso, ostenta o título com orgulho: acabas de te juntar ao clube dos interessantes!  

Posto isto, se ainda existir alguém que queira saber o porquê do nome Bolacha? Maria, a esses direi simplesmente: 

É porque é bom!

Saudações

Nota Solene de Abertura



Olá, sejam bem-vindos ao Bolacha? Maria.

Como ainda não consegui convencer ninguém a ler o meu blog vou só contar uma piada: 

Porque é que as anãs não podem usar tampão?
Porque podem tropeçar no fio! 
(imaginar aquela orquestrazinha de bateria e trompete que toca sempre no fim das piadas)

Saudações