sexta-feira, 26 de abril de 2013

Ser nova...



A Maria pediu-me para começar esta participação especialíssima por me apresentar, vendendo-me.
Acho que quer que outros percebam o porquê de estar aqui.

O que na realidade ela queria dizer é que pretende que eu explane os meus argumentos de permuta pessoal, chamemos-lhe assim. Aquilo que dás a outra pessoa para ela te retribuir com aquilo que queres dela, seja amizade, admiração, emprego, um elogio, ódio, inteligência, mentira, engate, sexo.

Vender, ou não fossemos nós estudantes das leis, implica uma troca por dinheiro. Não é isso que queres Maria.

O que eu não percebo são esses limites das permutas pessoais. E isto é um assunto do caraças. Quantas bebidas podes exigir de um gatinho encostado ao bar em troca da tua momentânea atenção e sede sem que o vosso contrato seja convertido para compra e venda? São 3 vodkas maracujá? É que ao quarto já não é simpatia, é ser fim do mês e teres a carteira vazia, logo, é dinheiro, logo é uma compra e venda, logo tás a entrar no campo da prostituição. E se quisesses ser só amiga, ou encontrá-lo no facebook e colocá-lo na tua to do list, bastam 3 drinks. Acho até que bastam 2.

Não é isso que queres Maria.

O que queres é que eu diga o que sou: um cliché.  

Que passeio em parques ao domingo, adoro bebés, cães, frases jamba e gente básica.
Que me divirto com a burrice alheia, que me falta vergonha para esconder que gosto de reality shows. Que, como tu, adoro esplanar e tricotar casos amorosos entre conhecidos. Que acho que sei cozinhar porque os hambúrgueres me saem bem. E a quem é que não saem? É manteiga, alho e sal. Que me canso quando saio à noite, mas não me consigo ir embora mais cedo porque a revelação humana que acontece quando a lua substitui o sol é mágica e a mais pura forma de te mascarares, de mostrares tudo de ti.

Gosto de ler mas falta-me o tempo para dormir. E tu odeias que eu durma. E eu adoro dormir. E que tenho um homem. E que se lixe essa voz na vossa cabeça que recrimina o que escrevi e debita que ninguém é dono de ninguém.
uhh uhh és muita possessiva.
Não sou nada. 

As coisas que quero depois de ti

Quero escrever a direito em folhas de papel sem linhas, e observar as estrelas em dias de apagão. Mudar-me para o terceiro mundo e viver sem os luxos da metrópole. Andar de bicicleta nos fins de tarde soalheiros e ouvir Frank Sinatra nas noites em que me sinto teatral. Beber vinho da garrafa, e comer queijo sem tira-lhe a casca.

Quero dar-te mil beijos e sentir em todos eles a frescura do primeiro.

Quero falar horas a fio sobre as frivolidades práticas da vida, e discutir política de uma forma descomprometida. Como só os observadores o fazem.
 
Quero sentir borboletas no estômago - não! Andorinhas – de cada vez que te vejo chegar.

Quero cumprimentar a senhora da mercearia, o padeiro e o farmacêutico daquela maneira que permite o fiado. Quero ter um cão chamado Bruno, para ensiná-lo a ladrar aos inoportunos. Quero ter uma moeda da sorte e um carro velho com leitor de cassetes.

Quero ler todos os livros da minha lista e escolher as melhores passagens para partilhá-las contigo.

Quero ter um tabuleiro com pés para tomar os pequenos-almoços de domingo na cama. Quero partilhar esse tabuleiro contigo.