sexta-feira, 4 de abril de 2014

Nunca é refluxo

Fui ter com a minha amiga M. Estava em casa com um ar abatido. Perguntei-lhe o que tinha, e porque me olhava assim. Disse-me ter uma sensação estranha no âmago. Esse âmago onde se aninha a alma quando não vislumbramos saída.

Perguntei-lhe se tinha comido algo mais condimentado, disse-lhe que provavelmente o que sentia era refluxo, que os cigarros que andava a fumar também não estavam a ajudá-la, que por algum motivo eram considerados ilegais…

A M olhou para mim e retribui-me um sorriso indiferenciado. Percebi que se estivéssemos a falar num chat, teria recebido um smile daqueles que se fazem com o comando dois-pontos-fecha-parênteses. Nunca me teria dado um daqueles de doispontosD. Esses mostram os dentes, e ela estava a querer esconder-me a alma. 

Ao observar M percebi que teria que falar com ela sobre sentimentos e debater assuntos que não se resolvem com um Kompensan. Não pude deixar de sentir uma certa pena, porque nessa semana, tinha descoberto uma farmácia ao lado de minha casa que vendia uns comprimidos, alternativos ao Kompensan, a muito bem preço.

Os amigos têm este dom de exigirem de nós soluções criativas. Se tudo se resolvesse com um Kompensan eu não teria tentado abrir uma gasolineira.

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