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sábado, 4 de outubro de 2014

Amizade Existencialista

Eu: Bom dia! Como corre essa segunda-feira?

Ave Rara: Olá!... o costume…

Eu: O costume teu? Ou o costume meu? É que o meu costume dir-me-á que chegaste ao escritório, bebeste um café rápido e voltaste para o teu lugar. Abriste o PC directamente na caixa de correio, organizaste os emails, priorizaste a tua lista de afazeres e às onze da manhã estavas pronta para deitar mãos à obra. E, como não podia deixar de ser, no meio disso tudo ainda tiveste tempo para mandar umas bocas num qualquer chat de whatsapp (este ultimo, mais para manter aceso o sentimento de pertença do que, propriamente,por interesse no que por lá se dizia)…

Ave Rara: … Sabes? Às vezes dou por mim a questionar a nossa amizade… penso nos seus 10, maduros, anos …na minha personalidade…no teu feitio… nos nossos métodos… e nos motivos que me levam a ser amiga de uma pessoa que se dispõe a escrever 90 palavra sem, no entanto,despertar, em mim, o mínimo sentimento de orgulho. E olha que, neste caso, a solução era bastante óbvia: bastava mudar todos os verbos para a sua forma negativa. Et voilà! Facile, facile!!

Eu: OMG sua freak diabólica!!!Tu-não-te-deste-ao-trabalho-de-contar-o-número-de-palavras-que-escrevi-só-para-me-poderes-mandar-uma-boca-foleira!!!

Ave Rara: E, aparentemente, tu também não…

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Altruísmo

Eu: Lembras-te daquela vez que deste um pontapé no rabo de um homem que acabava de se baixar para apanhar uma caneta?

Ave Rara: Sim…

Eu: E lembras-te como depois largaste a correr e deixaste-me ali pendurada? E quando o homem se voltou só viu a minha cara incrédula a olhar para ele?

Ave Rara: Sim… estávamos na fila para entrar no autocarro. Na verdade, fiz-lhe um favor.
Eu: Claro que fizeste! Afinal, o que não falta por aí é gente altruísta a encher o traseiro alheio de biqueiradas! É pena que a nossa sociedade decida chamar-lhes arruaceiros e volta e meia mande um ou outro para a cadeia.

Ave Rara: Vês? É precisamente essa forma de altruísmo, imposto e padronizado, que me irrita na sociedade portuguesa… Porque é que a caridade tem que ser sempre materializada em dinheiro, comida/roupas e obras públicas?

Eu: … this should be fun … 

Ave rara: A sério! Deixa-me perguntar-te: se visses duas miúdas de Sagrado Coração de Maria dirigirem-se a uma rua mal frequentada, onde sabias que costuma haver muitos assaltos, alertarias as miúdas?

Eu: Hum … Não. Se são do Sagrado coração, à partida elas é que iam dar má fama à rua…

Ave Rara: LOL! Responde herege!

Eu: Se me apercebesse do perigo real, definitivamente diria algo.

Ave Rara: Voilá! E isso é também uma forma de altruísmo na sua vertente de cidadania activa!

Eu: Sim, mas continuo sem perceber como é que, eu evitar uma situação de perigo, pode ser equiparável a tu pontapeares alguém no traseiro e fugires?

Ave Rara: Altruísmo de pura cepa minha cara! O que fiz por aquele homem nunca ele me poderá pagar. Também não é disso que se trata. Como te digo, fi-lo movida apenas por esse nobre sentimento que me anima o espírito…

Eu: Vá! Deixa-te lá de tretas e explica-te.

Ave Rara: Já ouviste falar de um senhor chamado Ivan Petrovich Pavlov?

Eu: Já mas acho absolutamente extraordinário que saibas de cor o nome completo de Pavlov e o pronuncies com o melhor dos sotaques russos … surpreendente a forma como dedicas o teu tempo a assuntos tão sumamente importantes...

Ave Rara: Seria de supor que depois da referência a Pavlov já terias percebido de que forma o meu pontapé na peida do velho foi um acto altruísta... Não achas surpreendente também a conta em que te tenho?

Eu: Não… mas diz lá o que é que o Pavlov tem a ver com esta história toda!

Ave Rara: Então, Pavlov com a sua teoria dos reflexos condicionados, veio demonstrar que mediante a repetição de certos estímulos, positivos ou negativos, o ser humano a eles sujeitos ajustará o seu comportamento e passará a agir por antecipação sempre que se encontre numa situação idêntica. Ora, no caso do senhor do autocarro que deixou cair a caneta no chão e que automaticamente se baixou para a apanhar, quando lhe assentei o pé no fofo condicionei os seus comportamentos futuros. Isto é, faço-o pensar duas vezes da próxima vez que se baixar para apanhar seja o que for. Percebes? 

Eu: Sei que não estou a contribuir para esta discussão tanto quanto gostarias, mas … DO QUE É QUE ESTÁS A FALAR?

Ave Rara: A sério que ainda não atingiste? Imagina que este mesmo senhor, de hoje para amanhã, por infortúnios da vida acaba por ir parar à cadeia. Um belo dia está a tomar duche e, oops, deixa cair o sabonete…

Eu: Não, não, não e não!! Tu não vais chegar à conclusão que eu penso que tu vais chegar! 

Ave Rara: Estou só a dizer: hoje é a caneta amanhã é o sabonete… Uma pessoa que se baixa com aquela leviandade, com aquele desprendimento, notoriamente não se encontra preparada para as tribulações da vida. Ou, pelo menos, não em todas as vestes em que elas podem revelar-se. Ao dar-lhe um pontapé, estou a condicionar-lhe o comportamento e a evitar que uma eventual estadia na prisão se transforme numa experiência absolutamente marcante e infeliz. Ora, a isto chamo eu de altruísmo na sua vertente de serviço à comunidade!

Eu: Que generosa és… E onde está o altruísmo quando decides fugir a sete pés sem me dares o mínimo sinal de pré-aviso?

Ave Rara: … confesso que não pensei em tudo... Toldou-me a premência do dever cívico..

Eu: …

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Ave Rara - A aceitação

Sabes que não tens, propriamente, a amiga mais saudável do mundo, quando ela te obriga a conduzir até um parquimetro fora da sua zona de residência apenas porque ouviu dizer que a máquina devolve o dinheiro depois de dar o ticket..

Apercebes-te que algo de muito errado se passa contigo quando achas que a proposta é perfeitamente razoável;

Descobres que não só a Ave Rara, ma.s também tu tens um problema com o jogo, quando chegas à máquina e percebes que à terceira moeda ela deixa de devolver o dinheiro e, ainda assim, continuas a atirar para lá moedas na esperança de recuperares o que já lá deixaste..

Fuck you Emel and your stupid Money Eater Machines!!!

Sobre encontros

Eu: Olá 
Ave rara: Vou jantar com o Sr. X hoje.  
Eu: Nice! vais beijar na boca (adorava que houvesse um smile french kissing)
Ave rara: Estou nervosa...
Eu: Porquê? já foram jantar outras vezes, e falam todos os dias... não há-de variar muito
Ave rara: Estou na net a pesquisar tópicos de conversa
Eu: ...
Eu: ahahahahahaha

Sobre religião


Ave rara: Tenho uma coisa para te contar.   
Eu: ui! Que se passa? 
Ave rara: Ontem ia na rua e deu-me a fome. Passei por uma mercearia com aqueles expositores de fruta á porta e quando dou por mim estou a tirar uma maçã. Como se fosse um buffet, nem pestanejei. Segui o meu caminho, roendo a minha maçã e a pensar que devia ter escolhido uma mais verde . . A minha educação sacro-cristã revelou-se um verdadeiro flop!   
Eu: Ai AR que exagero!! Toda a gente sabe que roubar para comer não é pecado. 
Ave rara: ...