terça-feira, 15 de outubro de 2013

(in)Coerências

Olhos, nariz, boca, olhos, nariz, boca… e porque não bochecha? Dizem que a bochecha é a parte mais saborosa de todos os seres vivos. O Dr. Lecter, num dos filmes explica isto muito bem, enquanto come a bochecha do convidado. A que saberá a carne humana? Deve ser gorduroso, em geral. Gastronomicamente, quanto mais gorduroso mais bem cotado é. Não percebo a adoração por torresmos. Só o nome dá azia. Torresmos. Torresmos. Se repetirmos vezes suficientes uma palavra roubamos-lhe o significado. Torresmos, torresmos, torresmos, torresmos… Não percebo porquê! Talvez seja porque a repetição cria distanciamento da tarefa. É como conduzir… ou lavar os dentes. Sei lá eu se o incisivo ficou bem lavado! Só me lembro que no processo de aprendizagem fiz questão de assegurar que aquele meu incisivo ficava num brinco. Porque é que será que a expressão brinco significa brilhar e é sempre acompanhada do gesto de agarrar o lóbulo da orelha entre o polegar e o indicador? Os italianos usam esse mesmo gesto para dizer que alguém joga na outra equipa. Não me faz sentido nenhum. E dizer que uma coisa fica um brinco é do verbo brincar, ou da palavra brinco? Deve ser brinco senão agarrávamos um brinquedo e não o lóbulo da orelha… tenho que ver no Priberam… O Priberam é uma das melhores ferramentas linguísticas de todos os tempos. O que as pessoas não sabem é que há uns colaboradores mais válidos que outros. Eu vou sempre ver os cv’s deles. Se o João Rui me disser que “a primeira pessoa do plural do Pretérito Perfeito do verbo haver é houveram”, não é exactamente a mesma coisa que a mesma afirmação ser dita pelo Prof. Doutor João Rui PHD em linguísticas aplicadas ao desenvolvimento da hermenêutica e linguística portuguesa. A maior parte das pessoas limita-se a comer o que lhes dão… Tipo a Wikipedia. Wikipedia, wikipedia, wikipedia. LOL, é mesmo verdade que perde o significado.

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